Editorial LEBBEKE Nº 001 · Tendências

A nova geração das mesas de doces

Como os bombons artesanais passaram de coadjuvantes a protagonistas das celebrações contemporâneas.

POR GABRIEL MELO, DIRETOR DA LEBBEKE·julho de 2026·
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Mesa de doces de casamento com decoração floral branca — Casa Petra, foto de Rafael Cruz

Ao longo das últimas décadas, os bombons artesanais deixaram de ocupar um papel secundário nas mesas de doces e passaram a assumir o protagonismo das celebrações contemporâneas. Mais do que uma mudança gastronômica, esse movimento revela uma transformação na forma como as pessoas enxergam sabor, estética e experiência.

Mas o que explica essa mudança?

Durante muito tempo, as mesas de doces dos casamentos brasileiros eram marcadas por receitas tradicionais que atravessaram gerações.

Doces à base de ovos, camafeus de nozes, olho de sogra, quindins e outras especialidades da confeitaria portuguesa e brasileira ocupavam naturalmente o centro das celebrações.

Hoje, porém, um novo protagonista conquistou esse espaço: o chocolate, especialmente na forma dos bombons artesanais.

A presença do chocolate nas mesas de doces, no entanto, não surgiu de forma repentina.

Os primeiros doces à base de chocolate começaram a aparecer de maneira tímida entre as décadas de 1940 e 1950, impulsionados pela criação do brigadeiro e pela crescente popularização do chocolate no Brasil.

Nas décadas seguintes, o ingrediente conquistou espaço gradualmente, até que, nos anos 1980 e 1990, a confeitaria viveu uma transformação decisiva.

A chegada de técnicas europeias de temperagem e moldagem de bombons, aliada ao fortalecimento do conceito de doces finos, consolidou o chocolate como sinônimo de sofisticação nas grandes celebrações.

Da abundância à curadoria

Durante muito tempo, o prestígio de uma mesa de doces era medido pela quantidade e pela variedade. Hoje, a lógica parece diferente. O valor está menos no excesso e mais no significado. Menos na abundância e mais na curadoria. Menos na repetição e mais na identidade.

A ascensão dos bombons artesanais nas mesas de doces não representa apenas uma mudança de preferência gastronômica, mas revela uma transformação mais profunda na forma como as novas gerações celebram: valorizando experiências, identidade, estética e significado acima da tradição pela tradição.

O futuro das mesas de doces

Nos próximos anos, é provável que as mesas de doces deixem de ser organizadas apenas pela variedade e passem a ser pensadas como experiências gastronômicas completas, nas quais chocolate, frutas, castanhas e ingredientes sazonais convivem em coleções cuidadosamente selecionadas.

Acreditamos que a próxima década consolidará uma mudança iniciada nos anos 1990, em que o protagonismo deixará de estar na quantidade de doces e passará definitivamente para a qualidade da experiência, em que coleções autorais e ingredientes de origem tendem a assumir um papel cada vez mais central nas celebrações.

Essa percepção encontra eco nas principais análises sobre o futuro das celebrações, que apontam para casamentos cada vez mais personalizados, experiências gastronômicas imersivas e escolhas capazes de contar a história dos anfitriões.

Nesse cenário, os bombons artesanais deixam de ser apenas um elemento da mesa de doces e passam a integrar a narrativa da celebração.

Mais do que uma mudança de cardápio, a ascensão do chocolate revela uma transformação cultural. Se, durante décadas, a mesa de doces refletiu as tradições de uma celebração, ela agora passa a expressar também sua identidade. E tudo indica que essa será uma das transformações mais marcantes da confeitaria para eventos nos próximos anos.

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